RevisaCV
Feedback de currículo com IA, treinada como recrutador — de um protótipo em WordPress a uma web com SEO técnico e GEO próprio em 15 idiomas.
Ver produto →Resumo rápido
- Função
- Builder solo (V1 e V3) · com Christian Pasquel (V2)
- Período
- Dezembro 2023 → presente (3 versões)
- Stack técnico
- Azure → Hetzner + N8N → Vercel + Supabase + Claude Code
- Produto
- revisacv.com
O problema
Saí da Rappi em 2023 e, como qualquer pessoa em busca ativa, comecei a aprimorar meu currículo. Em uma conversa, alguém sugeriu a ideia de revisá-lo com o ChatGPT. Testei, e acabei totalmente envolvido: refinando o prompt repetidas vezes, pesquisando o que fazia um currículo passar (ou não) pelos filtros ATS, lendo boas práticas de redação para recrutamento.
Em algum momento o prompt deixou de ser algo que eu usava só para mim. Se estava me dando um feedback acionável e específico — não genérico — provavelmente ajudaria qualquer pessoa no mesmo momento de incerteza pelo qual eu passava. Essa foi a origem: não um plano de negócio, mas um prompt que ficou bom o suficiente para eu deixar de guardá-lo só para mim.
A construção
V1 — Web gratuita (dezembro de 2023)
A primeira versão foi, literalmente, “construa com o que você sabe usar”. Escolhi a Azure porque queria aprender mais sobre essa nuvem, não porque fosse a opção mais barata ou simples — uma decisão consciente de usar o projeto também como desculpa para aprender infraestrutura.
- Azure — App Service dentro de uma máquina virtual, hospedando a web e o servidor de emails.
- WordPress + Spectra para o front, com Photoshop para o logo.
- Solid (plugin de segurança do WordPress) para senhas fortes, bloqueio de usuários com emails comprometidos e proteção contra força bruta.
- Zapier como orquestrador: recebia o currículo, chamava a API da OpenAI para a análise, injetava o resultado em um template HTML (montado com ajuda do ChatGPT, pensado para ficar bom também no modo escuro) e disparava o envio por email.
Anunciei a web no LinkedIn em 22 de janeiro de 2024. O MVP não tinha nenhuma camada de monetização — era 100% gratuito, pensado para validar se a necessidade era real antes de complicar qualquer outra coisa.
V2 — Bot de WhatsApp, com Christian Pasquel (outubro de 2024)
Com a validação da V1 em mãos, mas o custo da Azure pesando, o objetivo da V2 foi direto: baixar o custo de infraestrutura para quase zero e testar um canal diferente — o WhatsApp, onde as pessoas já estão, sem a fricção de “entrar em um site”.
- Hetzner para a infraestrutura (bem mais barata que a Azure).
- N8N gerenciando todo o fluxo conversacional e orquestrando a análise com a API da OpenAI.
- Webflow para uma web estática, usada apenas como landing page promocional — o produto de verdade vivia no chat, não na web.
O trade-off foi explícito: menos controle e personalização (todo o “produto” rodava dentro das limitações de um fluxo de WhatsApp) em troca de uma infraestrutura quase gratuita e de encontrar as pessoas em um canal que elas já usavam diariamente.
V3 — Web com publicidade (agosto de 2026)
A V2 provou que a análise funcionava e que as pessoas valorizavam isso, mas esbarrou em duas paredes: trazer tráfego para um bot de WhatsApp é difícil, e depender de uma plataforma de terceiros é frágil (as mudanças do WhatsApp acabaram quebrando o modelo — mais detalhes em Escalonamento). A V3 volta para uma web própria, mas com uma abordagem de distribuição completamente diferente: em vez de pagar ou disputar tráfego canal por canal, apostar em SEO técnico multi-idioma como canal orgânico de longo prazo, monetizado com publicidade em vez de venda direta.
- Vercel hospeda o frontend.
- Supabase como backend (auth, storage, Edge Functions, Postgres) — substitui toda a orquestração manual de N8N/Zapier por infraestrutura gerenciada.
- Login sem senha via magic link por email, com templates próprios traduzidos para os 15 idiomas — coerente com o resto do produto, nada de uma tela de login em um único idioma enquanto tudo o mais está localizado.
- Gemini como modelo LLM para a análise (substitui a OpenAI).
- Claude para o design técnico e visual do produto, e Claude Code como a ferramenta de desenvolvimento de ponta a ponta.
- Conteúdo e UI em 15 idiomas, com boas práticas de SEO técnico (hreflang, sitemap, metadata) replicadas em cada um — a aposta de distribuição central desta versão.
- GEO (Generative Engine Optimization): a distribuição não mira só nos buscadores tradicionais, mas também em permitir que agentes de IA (ChatGPT, Perplexity, Claude, etc.) leiam o site diretamente. Isso incluiu prerendering real (SSR) das páginas públicas — uma SPA em React é, por padrão, uma
<div>vazia para qualquer crawler que não execute JavaScript, e vários dos maiores bots de IA não executam — mais dados estruturados (JSON-LD:Article,FAQPage,BreadcrumbList) para que um agente extraia conteúdo sem precisar interpretar o HTML, umrobots.txtcom permissões explícitas para GPTBot, ClaudeBot, PerplexityBot e Google-Extended, e umllms.txtcom um resumo curado do site como ponto de entrada para agentes.
Escalonamento
Mais do que “o que quebrou ao crescer” no sentido clássico de tráfego/carga, cada versão do RevisaCV quebrou por um motivo diferente — e cada quebra definiu a versão seguinte:
- V1 → V2: não foi um problema de escala de usuários (200 currículos em um mês não é muito volume), mas de custo fixo insustentável. Manter a Azure para esse volume não fechava a conta, então a prioridade da V2 passou a ser baixar o custo de infraestrutura quase a zero antes de adicionar features.
- V2 → V3: aqui sim houve duas quebras reais. Uma de distribuição — trazer tráfego para um bot de WhatsApp se mostrou consistentemente difícil, sem um canal orgânico próprio. E uma de dependência de plataforma — mudanças nas políticas/condições do WhatsApp acabaram tornando o modelo inviável do jeito que estava montado, algo completamente fora do meu controle. Essa fragilidade foi a razão principal para voltar a um canal próprio (web + SEO) em vez de continuar otimizando dentro do WhatsApp.
- A V3 foi projetada, desde o primeiro dia, para evitar as duas quebras anteriores: custo variável baixo (Supabase + Vercel em vez de Azure) e um canal de distribuição que não depende da boa vontade de terceiros (SEO próprio em 15 idiomas, em vez de um canal de mensagens emprestado).
Resultados
| Versão | Período | Resultado | Custo |
|---|---|---|---|
| V1 | Jan 2024 (1 mês) | +200 currículos revisados de graça, ~80 pessoas | Alto (Azure) |
| V2 | Out 2024 – Dez 2025 | 1.870 currículos revisados · US$ 150 de lucro · 8% de conversão sobre chats iniciados (benchmark: 5%) | US$ 1,50/mês |
| V3 | Ago 2026 – presente | Recém-lançada, ainda sem métricas consolidadas — é o modelo que estou testando agora (pendente de revisão do AdSense) | — |
Não guardei evidências (capturas, URLs, dashboards) da V1 nem da V2 além desses números — nenhuma das duas está mais online. É, aliás, um dos aprendizados abaixo.
Aprendizados
- “Construa com o que você tem e valide a necessidade” ganha de construir o ideal desde o primeiro dia. A V1 custava caro e não era a arquitetura certa a longo prazo, mas cumpriu seu único trabalho real: confirmar que a necessidade existia antes de investir mais.
- Infraestrutura barata é uma vantagem real, mas não basta se não resolver a distribuição. A V2 baixou o custo para US$ 1,50/mês, uma conquista em si, mas continuava sem resolver o problema de fundo: trazer gente para o produto.
- Nunca construa o coração do seu produto sobre uma plataforma que você não controla. O bot de WhatsApp funcionava bem tecnicamente, mas uma mudança de políticas alheia a mim o tornou inviável de um dia para o outro. É a razão de fundo pela qual a V3 aposta em um canal próprio (SEO) em vez de depender de um canal emprestado.
- Guarde evidências de cada iteração. Não ter nem uma URL nem uma captura da V1 ou da V2 hoje é uma perda real para mostrar a jornada completa — daqui para frente, documentar cada versão antes de desligá-la.
- Cada versão mudou mais do que o stack: mudou o modelo de negócio. Gratuito sem monetização (V1) → lucro marginal direto por volume (V2) → publicidade + escala via SEO (V3). Não foi uma migração técnica em linha reta, foram três apostas de produto diferentes usando o mesmo core (feedback de currículo com IA).
- O SEO sozinho já não basta — agora também é preciso pensar em como um agente te lê. Uma SPA sem prerendering é uma
<div>vazia para crawlers que não executam JavaScript, e essa é exatamente a categoria em que caem vários dos bots de IA mais usados hoje. Construir a V3 pensando em GEO desde o início (não como um remendo posterior) foi essencial para que a aposta de distribuição desta versão alcance tanto os buscadores tradicionais quanto a nova geração de agentes que as pessoas usam para encontrar respostas.